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Cultura

Tribhar #4 discute as dificuldades e aprendizados do independente em 2020

4 min leitura

O Tribhar #4, última live da Tribhus em 2020, recebeu as bandas Imenso e Danilovers para falar um pouco sobre como foi o ano para o independente nacional e também discutir um pouco de como será 2021.

Tribhar #4

Assim como foi para pessoas e projetos no mundo inteiro, a pandemia interrompeu e bagunçou os planos de muitas bandas.

No caso dos Danilovers, a banda estava pronta para trabalhar um novo disco, chamado “Para Poucos”, e esses planos foram adiados. Segundo Danilo, vocalista da banda, no início de março eles gravaram baixo e bateria de todas as faixas e, duas semanas depois, o início da pandemia, fechamento de estúdios, casas de shows, e o disco ficou travado.

“O dono do estúdio V8, onde estávamos gravando não sabia se ia continuar com o estúdio, o que ele ia fazer. Depois de uns três, quatro meses, lá para agosto, falei ‘Isso não vai passar, vamos pra frente, vamos gravar’. Em agosto mesmo o Luca foi lá, terminou as guitarras, em outubro ou novembro eu gravei as vozes e agora estamos mixando, mas tudo sem pressa. Se antes nós tínhamos pressa, para estar com tudo pronto, organizar um festival, lançar, tocar. Agora queremos fazer tudo tranquilo, para lançar com calma. Não queremos lançar sem fazer shows”, afirmou o vocalista dos Danilovers.

Para a banda Imenso, o impacto da pandemia foi parecido com o que aconteceu com os Danilovers. A banda vinha de uma bom momento em 2019, com muitas apresentações, criação de novos sons e na expectativa para entrar em estúdio durante 2020. No entanto, os planos foram atrapalhados e a banda passou boa parte do ano parada, organizando as coisas, pensando em planos para o próximo ano, no momento pós-pandemia.

EFEITOS

O Tribhar #4 também discutiu um pouco sobre as perdas da pandemia. Espaços culturais, estúdios, casas de shows, todos foram extremamente afetados pela Covid-19 e muitos não aguentaram e tiveram que fechar as portas.

“Na área da cultura, o que eu vejo é gente que depende, única e exclusivamente, da arte passando fome. Isso é inadmissível. Olha quão rica é nossa cultura musical, isso é inadmissível”, pontuou Matheus, vocalista da Imenso.

O guitarrista dos Danilovers, Luca, ainda frisou que no independente e no underground a situação é ainda mais complexa, já que são nichos esquecidos por governantes e mesmo pela mídia.

LIÇÕES E APRENDIZADOS

Abrindo a discussão sobre o que a pandemia ensinou, Matheus, da Imenso, frisou o reconhecimento de seus privilégios. Para o músico, a possibilidade de poder se cuidar ficando em casa e ter um instrumento pra tocar e afastar os momentos difíceis, foram muito importantes para enfrentar esse momento.

Para Walter, guitarrista da Imenso, o ano ensinou sobre a necessidade de se reinventar, aprender novas formas de fazer as coisas e estar pronto para enfrentar novas situações e minimizar problemas.

Enquanto isso, Luca, dos Danilovers, pontuou o aprendizado musical, segundo ele, foi um momento de trabalhar melhor, entender melhor o próprio som e buscar aprimorar o trabalho. Além disso, ele pontuou o crescimento da amizade entre a banda, com cuidados para saber como cada um está passando por esse momento.

LIVES

Principal ponto de contato entre artista e público, as lives foram grandes atores do ano de pandemia.

Uma das ponderações apresentadas durante o Tribhar #4, foi como as lives servem para a democratização do acesso à cultura, com a possibilidade de mais e mais pessoas terem acesso aos mais diversos artistas, que talvez não chegassem a elas sem essas ferramentas.

“Para mim é mais do que tendência, é necessidade. Explorar o meio virtual, as ferramentas disponíveis e buscar tirar o máximo delas. Na verdade tudo o que começamos a fazer esse ano já estava disponível há muito tempo. Eu espero que isso sirva de lição para todos. Observar mais, abrir a mente para o que é novo e tirar proveito disso”, falou Walter.

EXPECTATIVAS 2021

Com a previsão de vacinação para os primeiros meses de 2021, a expectativa é de voltar a ter um mundo quase normal já no meio do próximo ano. Especulando sobre isso, os entrevistados do Tribhar #4 expuseram opiniões diversas.

Para Danilo, os espaços deverão iniciar um momento mais complexo de seleção de quem vai tocar, para tentar conquistar um lucro maior e muita coisa não vai mais fazer sentido. Dessa forma, será necessário repensar um pouco a forma de como fazer eventos.

“Todo mundo vai querer fazer, todos vão buscar as mesmas casas para fazer, ‘ah mas eu quero fazer pra minha banda’, mas você vai fazer a mesma coisa pela banda do seu amigo? Acho que precisamos ver mais o coletivo. Vamos prestigiar a banda do amigo, porque aí, ela também pode retribuir e ver sua banda. Os rolês, os shows precisam fazer sentido para quem vai e para quem faz. Show com venda de ingresso, artista não receber, tocar em lugar caro, essas coisas já não faziam sentido antes e no futuro nem deviam continuar a acontecer”, concluiu o vocalista dos Danilovers.

Matheus, da Imenso, corroborou com a ideia de Danilo, mas frisou que no momento que houver uma vacinação em massa, as pessoas vão querer voltar correndo para as ruas, rolês, etc. No entanto, ele espera que haja democratização do acesso a cultura e união do independente, para que essas coisas aconteçam da melhor maneira possível.

INDICAÇÕES

Como toda Tribhar, os nossos convidados deram suas indicações de bandas e artistas independentes.

Abrindo as indicações, Matheus, da Imenso, falou das bandas Sub Rock, Violet Soda, Selvagens a Procura de Lei, Lestrangers e Venus Wave.

Na sequência, Walter, citou as bandas Ciders, Origem da Alma, Clandestinas, Rakta, Der Baum, Bombay Groovy e Dance Of Days.

Danilo, começou falando pelos Danilovers e indicou as bandas Os Excluídos, Bocarra, Subalternos, Fogo Corredor, Horizonte Cinza, Música Agosto, Sistah Chilli e Meu Funeral.

Finalizando, Luca, corroborou com o Der Baum e Música Agosto, além das bandas Statues on Fire, Ossos Cruzados e Liferika.

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